Artigo

Equidade não
é privilégio

Por Juíza Fernanda Brito
Integrante do GTPIF
Juíza Fernanda Brito

Sempre que o assunto é equidade, percebo que muitas pessoas ainda confundem esse conceito com privilégio. A meu ver, quem enxerga a equidade dessa forma normalmente desconsidera uma realidade que, durante muito tempo, impôs barreiras silenciosas a muitas mulheres. Equidade não significa favorecer A ou B. Significa reconhecer que nem todos partiram do mesmo ponto e que, para existir uma competição verdadeiramente justa, algumas portas precisam, antes de tudo, ser abertas.

Como juíza, vejo diariamente que a Justiça lida com pessoas muito diferentes entre si. Cada processo traz uma história, uma realidade e desafios únicos. Por isso, acredito que um Judiciário formado por pessoas com diferentes trajetórias, vivências e perspectivas é um Judiciário mais preparado para compreender a complexidade da sociedade que serve. É justamente essa diversidade que amplia nossa capacidade de ouvir, compreender e decidir com mais sensibilidade e responsabilidade.

Faço parte do Grupo de Trabalho de Participação Institucional Feminina do TJAL justamente porque acredito que mudanças importantes não acontecem por acaso. Elas exigem diálogo, compromisso e disposição para enfrentar velhos preconceitos. Ainda somos minoria em muitos espaços de decisão, e reconhecer isso não é criar divisão entre homens e mulheres. É apenas admitir que ainda há um caminho a percorrer para que oportunidades sejam, de fato, iguais para todos.

"Quando diferentes vozes têm espaço, a instituição ganha legitimidade, enriquece seus debates e se aproxima da sociedade. É sobre garantir que talento, competência e dedicação sejam os verdadeiros critérios para ocupar qualquer lugar."

E, para mim, esse é um compromisso que fortalece não apenas as mulheres, mas a Justiça como um todo.

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