Aos 62 anos, a desembargadora Silvana Lessa Omena traz uma trajetória de três décadas dedicadas à magistratura. Natural de Maceió, formou-se em Direito pela UFAL em 1986 e ingressou na magistratura estadual em 1995. Primeira desembargadora do TJAL promovida pela lista exclusiva feminina, a magistrada falou à Revista Elas no Poder sobre sua trajetória, os desafios da carreira e a importância da presença feminina nos espaços de liderança do Judiciário.
O que a motivou a escolher a magistratura e como foi construir sua trajetória até chegar ao Tribunal de Justiça de Alagoas?
Minha escolha pela magistratura foi, sem dúvida, influenciada pelo ambiente em que cresci. Sou filha de um desembargador, que também foi meu professor na UFAL e, desde muito cedo, pude acompanhar, dentro de casa, a seriedade, a responsabilidade e, sobretudo, o compromisso que o exercício da magistratura exige.
Mas a referência familiar foi uma inspiração, não um caminho pronto. Minha trajetória foi construída com muito estudo, dedicação e trabalho. Chegar ao Tribunal representa, portanto, a realização de um projeto profissional construído ao longo de mais de 30 anos. Recebo essa nova etapa com muita alegria, mas também com a consciência da responsabilidade que ela traz.
A senhora foi a primeira desembargadora do TJAL promovida pela lista exclusiva feminina. O que essa conquista representa em sua trajetória e para as mulheres na magistratura?
Ser a primeira desembargadora do TJAL promovida pela lista exclusiva feminina representa, ao mesmo tempo, uma realização individual e um marco coletivo. Para mim, essa promoção é um divisor de águas e reforça a perspectiva de que a representatividade feminina nos tribunais continuará crescendo.
Não vejo essa conquista como uma questão de ocupar um espaço simplesmente por ser mulher. Vejo como o reconhecimento da importância de assegurar que mulheres igualmente preparadas tenham condições efetivas de alcançar os espaços de liderança. Quando uma mulher chega, ela abre caminho para que outras possam também chegar.
Ao olhar para os anos de atuação como magistrada, quais experiências mais contribuíram para a profissional e a mulher que a senhora se tornou?
A magistratura ensina todos os dias. Ao longo da carreira, aprendi que, por trás de cada processo, existe uma história humana, uma família, um conflito, uma expectativa e, muitas vezes, uma situação de grande vulnerabilidade. Aprendi que ser uma boa magistrada não significa apenas conhecer profundamente o Direito, mas também compreender o impacto que uma decisão judicial pode produzir na vida de quem está do outro lado do processo.
Sou especialmente apaixonada pela conciliação entre as partes e considero que, sempre que possível, essa é a melhor decisão: aquela que permite às pessoas construir, por meio do diálogo, uma solução para o conflito.
Hoje, ao olhar para trás, percebo que cada comarca, cada processo, cada desafio e cada pessoa que encontrei ao longo da carreira contribuíram para a profissional e para a mulher que me tornei.
Que conselho a senhora daria às mulheres que estão iniciando a carreira na magistratura e desejam ocupar espaços de liderança no Judiciário?
Acreditem em sua própria capacidade. A liderança começa muito antes de se ocupar formalmente um cargo: começa na forma como exercemos, todos os dias, a nossa profissão.
Estudem, preparem-se, mantenham a independência intelectual e não tenham medo de ocupar os espaços para os quais se prepararam. Perseverem diante dos desafios e não permitam que os obstáculos façam vocês duvidarem do próprio valor.