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Entrevista

Ana Florinda
Dantas

Promovida pelo critério de antiguidade após 42 anos de carreira

Aos 72 anos, a desembargadora Ana Florinda Dantas chega ao segundo grau após 42 anos de dedicação à magistratura alagoana. Promovida pelo critério de antiguidade, construiu uma trajetória marcada pela atuação em diversas comarcas e também pela carreira acadêmica, com mestrado e doutorado pela Universidade de Lisboa. Nesta entrevista à Revista Elas no Poder, Ana Florinda Dantas relembra os desafios e as transformações vivenciadas ao longo de quatro décadas de carreira e aborda o crescimento da presença de mulheres no segundo grau.

Após 42 anos de carreira, o que representa para a senhora chegar ao 2º grau pelo critério de antiguidade?

O critério de antiguidade para mim representou uma opção pessoal, pois as promoções por merecimento envolvem diversas questões. Como sou mãe de quatro filhos e sempre fiz questão de participar do dia a dia deles, sempre me dediquei bastante ao meu trabalho presencial nas varas pelas quais passei, mas também priorizei, em determinada fase da minha vida, a educação dos meus filhos e o cuidado com minha família, e me sinto muito honrada por isso.

Já na capital, com os filhos maiores e mais independentes, passei a me dedicar às questões de evolução na carreira, investindo também na minha formação acadêmica, concluindo pós-graduação, mestrado e doutorado. Por isso, esse tempo até a chegada ao segundo grau foi também um período de construção dos meus projetos.

A senhora acompanhou diferentes momentos da presença feminina no Judiciário. Como avalia o avanço da participação das mulheres nos tribunais?

No caso de Alagoas, o Poder Judiciário não contava com muitas juízas, que só começaram a ingressar no Tribunal a partir de 1976. Antes era muito mais difícil ocupar esses lugares. Atualmente, as mulheres vêm derrubando muitos tabus, atuando em diversas carreiras que antes contavam com maior presença masculina.

Aqui vivenciamos esse fenômeno do aumento da participação feminina. Temos visto uma evolução muito positiva, com muitas juízas jovens, inteligentes, competentes e dedicadas.

Após cerca de 25 anos de atuação na 22ª Vara Cível da Capital, que aprendizados da atuação na área de família mais marcaram sua trajetória?

Direito de família sempre foi uma paixão. No interior, a gente julga todas as áreas, mas assim que vim para a Capital, fui lotada na vara de família e por lá permaneci durante 25 anos. É um tipo de direito que possui uma grande influência social.

A criação do Núcleo de Promoção à Filiação foi meu grande projeto, resultando em mais de 12 mil reconhecimentos de paternidade, sem nenhuma contestação jurídica. Fomos premiados pelo Innovare, em 2010, servindo como exemplo para o projeto "Pai Presente" do Conselho Nacional de Justiça.

Meu grande sonho hoje é criar uma vara especializada na área de promoção à filiação.

Quais conselhos a senhora daria para as magistradas e para as mulheres que desejam atuar na magistratura?

Na sociedade atual, a participação das mulheres em todas as áreas políticas e profissionais é muito importante, e no Poder Judiciário não poderia ser diferente. A mulher deve ver a magistratura como uma excelente carreira, apesar de não ser uma carreira que possa ser levada sem sacrifícios pessoais.

"Para mim, a magistratura me encantou pela perspectiva de poder influenciar positivamente a vida das pessoas e da comunidade. É isso que deve inspirar quem busca essa carreira."
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